Descontaminação da água de metais pesados ​​usando proteína de resíduos vegetais

Escrito por Bruno Teles
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Primeiramente, a descontaminação da água é um tema recorrente no mundo científico. Com esta preocupação, cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, em parceria com a ETH Zurique, na Suíça, criaram uma membrana feita a partir de resíduos da fabricação de óleos vegetais.

Sendo assim, a substância pode filtrar metais pesados da água contaminada. Dessa forma, a pesquisa apontou que as proteínas derivadas dos subprodutos da produção de óleo de girassol ou amendoim podem capturar íons de metais pesados de forma rápida e prática.

Nos testes, o processo conhecido como adsorção foi apresentado, sendo capaz de purificar água contaminada para o consumo humano. Como resultado, esta membrana pode ser um método acessível e com baixo consumo de energia, para o projeto de descontaminação da água que o planeta está necessitando.

Descontaminação da água
Descontaminação da água (Reprodução: divulgação)
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Neste sentido, podemos dizer que a invenção é promissora. Isso porque a poluição de água é um grande problema para diversas partes do mundo, o que representa perigo para a saúde dos ecossistemas e até mesmo do corpo humano da população.

Os resultados da pesquisa foram publicados no Chemical Engineering Journal, em abril, e estão alinhados com o plano NTU 2025 e do objetivo da universidade para reduzir o impacto humano no meio ambiente. Por isso, além de eficaz, a membrana é uma ótima opção devido ao seu custo, sendo extremamente viável a países pobres.

Para obter os resultados, a pesquisa da NTU utilizou as farinhas de oleaginosas de dois óleos vegetais, que são os óleos de amendoim e girassol. Após extrair as proteínas, a equipe as transformou em fibrilas amilóides de proteínas, que são estruturas similares a cordas feitas de proteínas.

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Posteriormente, as fibrilas de proteínas são atraídas por metais pesados na água contaminada, e atuam como uma “peneira” que prende os íons de metais pesados, conforme eles passaram. Assim, é uma opção sustentável e barata para lidar com a descontaminação da água no planeta.

Uma nova maneira de fazer descontaminação de água

Para isso, os pesquisadores combinaram as fibrilas amiloides com carvão ativado, no intuito de formar uma membrana híbrida. Logo após, eles testaram as membras em três poluentes de metais pesados: cromo, chumbo e platina. Dessa maneira, aconteceu um processo conhecido como adsorção.

Dessa forma, à medida que a água contaminada flui através da membrana, os íons de metais aderem a superfície das fibrilas. Por isso, a alta relação superfície-volume das fibrilas as torna uma excelente opção para adsorção, especialmente quando há uma grande quantidade de metais pesados.

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Como resultado, foi descoberto que as membranas filtram até 99,89% dos metais pesados. Entre os metais testados, percebeu-se que o filtro foi mais eficaz para chumbo e platina. Além disso, tais metais presos podem ser reciclados, enquanto a membrana pode ser descartada ou queimada.

Em 2016, Raffaele Mezzenga descobriu que as proteínas derivadas do soro do leite de vaca poderiam ser úteis na atração de metais pesados. Sendo assim, a pesquisa serviu como um norte ao projeto, pois os pesquisadores perceberam que as proteínas da farinha de oleaginosas também podem ter as mesmas propriedades.

Por fim, os pesquisadores acreditam que a membrana é uma ótima opção para descontaminação da água, especialmente por ter um baixo custo e não necessitar de uma grande quantidade de energia, diferente de outros métodos como a osmose reversa, que necessita de eletricidade.

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