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Atualizado em 23/02/2018 às 13h37

Projeto prevê introdução de medicamentos fitoterápicos na rede pública de saúde


Encerrou na quinta-feira (21), o Curso de Produção Orgânica de Plantas Medicinais, evento que ocorreu nas dependências do Centro de Recuperação Agrícola Sílvio Hall de Moura, com a participação dos internos da penitenciária. O projeto está sendo implantado em Santarém pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Conta ainda com as parcerias das Secretarias Municipais de Meio Ambiente (Semma) e de Agricultura e Pesca (Semap).

O curso, ministrado por profissionais das secretarias parceiras, faz parte do Projeto Arranjo Produtivo Local (APL), da Semsa, e trata sobre o cultivo de plantas medicinais e fitoterápicos. O objetivo é capacitar os participantes no cultivo orgânico de plantas medicinais, dando início ao processo de produção e introdução de medicamentos, drogas vegetais e fitoterápicos na rede pública de saúde em Santarém.

Segundo a coordenadora do Projeto APL Fito, da Semsa, Conceição Menezes, trata-se de uma nova modalidade do SUS que retoma uma cultura tradicional da região que utilizava a cura por meio das plantas. Ela explicou que esta será a primeira etapa do projeto, que deve ser expandido para outras comunidades da região do Eixo Forte, com a implantação de canteiros para o cultivo das plantas medicinais, que depois servirão de matéria-prima para a produção dos medicamentos fitoterápicos. A penitenciária terá três unidades fixas de produção, além de Alter do Chão e de São Brás (todas no Eixo Forte) e uma unidade no bairro Mapiri (na zona urbana). Serão produzidos nessas unidades as seguintes plantas medicinais: cumaruzinho, gengibre, unha-de-gato, capim-limão, babosa e erva-cidreira.

Passada a inauguração do projeto, com o curso de produção, as próximas etapas serão o plantio, a instalação do laboratório e a dispensação dos fitoterápicos para o tratamento de pacientes atendidos pelo SUS. De acordo com Conceição Menezes, além da produção de medicamentos fitoterápicos, a dispensação das plantas medicinais será feita in natura e dissecadas.

O projeto tem ainda como ponto de destaque a capacitação dos entes envolvidos que são os produtores e profissionais de saúde da rede pública. "Além da preparação dos prescritores que são os médicos, enfermeiros, odontólogos, fisioterapeutas, dentre outros que atuam na rede pública de saúde, estamos trabalhando também em uma cartilha de orientação para o usuário. Muitas pessoas pensam que por ser medicamento natural, pode-se tomar de qualquer jeito, mas não é bem assim! É preciso que as pessoas sejam informadas das dosagens certas, para que tipo de doença cada planta serve, evitando assim efeitos colaterais indesejados", explicou a coordenadora do projeto. Ela disse que a ideia é realmente aliar os conhecimentos tradicionais com as técnicas farmacêuticas, no sentido de produzir os melhores efeitos na assistência à saúde da população local.

Medicamentos fitoterápicos

Ao se utilizar a planta medicinal de maneira industrial para obtenção de um medicamento, surge um fitoterápico. O processo de industrialização é importante porque evita contaminações, além de dosar de maneira correta a quantidade que uma pessoa pode consumir. Esse último ponto é essencial para evitar intoxicações com esses produtos.

Os medicamentos fitoterápicos são definidos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como aqueles que são obtidos a partir de derivados vegetais e que os riscos, os mecanismos de ação e onde agem no nosso corpo são conhecidos. Esses medicamentos são feitos exclusivamente de matéria-prima vegetal. Todo fitoterápico deve ter sua ação comprovada através de estudos farmacológicos e toxicológicos. Eles possuem seus benefícios comprovados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e, como qualquer medicamento, só devem ser usados com recomendação médica.

Dayse Lima Agência Santarém

Prefeitura de Santarém - Coordenadoria de Comunicação