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Atualizado em 03/06/2019 às 10h15

Musical Mimi Paixão reúne diferentes gerações de artistas em Santarém

Momentos da trajetória musical vivenciada e compartilhada pelo saudoso artista Firmino Paixão foram relembrados no palco do Centro Recreativo, na noite de 1º de junho. Comemorou-se o centenário no Show Musical denominado, "Mimi Paixão - o baile de uma vida". O evento reuniu gerações de artistas, entre familiares e amigos, no palco e na plateia. Ele ficou conhecido como instrumentista da flauta, clarinete e consagrou-se no saxofone.

Foi ao som instrumental do saxofone que iniciaram as apresentações musicais, o primeiro da noite, Jaime Paixão.

Segundo a filha Sandra Paixão, Mimi era admirador do padrinho de fogueira, o saudoso Maestro Wilson Fonseca. Sandra fez homenagem ao ídolo do pai cantando a música Pérola do Tapajós. "Uma grande festa de homenagem com grande envolvimento de familiares, amigos e de outras pessoas com afinidades à musicalidade do meu Pai. Até os bisnetos participaram do Musical. Foi grande o empenho, somado ao apoio das empresas e Governo Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Cultura", destacou Sandra.

O filho Beto Paixão que é cantor e compositor reforçou: "a expectativa foi alcançada e para nós da família Paixão, consideramos que tivemos um grande espetáculo para elevar a cultura santarena. Eu moro em Belém, e confirmo que Santarém é muito respeitada, principalmente na arte musical porque temos grandes nomes da música, como Sebastião Tapajós e Wilson Fonseca. Eu gostaria de agradecer a Secretaria Municipal de Cultura pelo grande apoio nesse espetáculo", destacou.

O advogado e o músico Odilson Matos ressalta a importância de Mimi Paixão. "Ele foi precursor de todos. Eu era muito jovem, mas muito eu aprendi com ele. Ele era um cara formidável, como músico. Hoje estou assistindo um pouco dessa vivência na apresentação. Aqui, no Recreativo era um dos palcos e pontos principais da sociedade santarena e das apresentações de Mimi. Sempre extraordinário, digo, sempre por o legado segue por gerações, grande músico e ser humano", detalhou.

No Musical foram 13 apresentações. Dividido em duas partes, a história de vida de Mimi Paixão e o seu legado.

Sobre Mimi Paixão:
Batizado como Firmino da Paixão, mas carinhosamente conhecido por " Mimi Paixão". O filho caçula de João Matias veio ao mundo no dia 1° de junho de 1919, em Santarém do Tapajós.

Juntamente com o irmão dele, o Adalgiso, conheceram as primeiras letras e as notas musicais com Frei Ambrósio, o pai "postiço" de todas as crianças pobres daquela época em Santarém.

Seus primeiros sons musicais soaram da flauta ou da clarinete, mas foi no saxofone sua maior inspiração, onde dava um show à parte, num sopro suave, enternecia os loucos amantes.

Um homem simples, de bom coração, encantava a todos com seu saxofone, amava a natureza, banho de rio, peixe assado na praia ou mesmo num igarapé. Fez muitas serenatas em noites de luar.

Muito jovem iniciou sua carreira musical, era alfaiate de profissão, mas a predileção pelo saxofone levou-o a fazer da música sua maior inspiração. Em suas veias corria o sangue musical herdado de seu pai. Por seu carisma e desenvoltura tornou-se popular em Santarém.

Em 1949 casou com Luzilda Carneiro da Paixão e com quem teve 5 filhos.

Mimi aprimorou-se ao talento musical mesclando suas apresentações com solos e passos elegantes, coreografados ao interagir com os dançantes. Possuidor de um humor invejável agradava a todos. Católico por influência da família, dizia: "Sou devoto de Nossa Senhora de Nazaré!" E todo ano ia a Belém (PA), pela época do Círio pagar promessa.

Em Belém, encontrava-se com os amigos da música, o saudoso Rui Barata, com este, fizera muitas serenatas e piracaias. Zé Ramos, saxofonista dos bons, dizia ele. Pedro Cauauá, Dr.Nagib Hage ( médico dele), Chico Hage, Adolfo Albuquerque, grande amigo, em sua casa se hospedava. Raimundo Paixão, trompetista e sobrinho, tocavam juntos.

Mini Paixão colocava toda a emoção ao interpretar um blues, um jazz ou uma valsa. Tinha imensa admiração pelo padrinho de fogueira, Maestro Wilson Fonseca. Muito elogiou os solos de Sebastião Tapajós, falava: "esse moleque é bom, vai longe!" Na quadra Carnavalesca, o frevo e o samba abrilhantavam sua performance. Quem o assistiu em ritmo de gafieira, pediu bis.

Nos bailes da cidade seu toque inconfundível fazia a plateia delirar, num sopro suave, aveludado, quase mágico.

A maior parte da vida de "Mimi" fora marcada pela euforia da música, amigos, família, os bailes; os rios, a natureza e a Pérola do Tapajós!!!.

Faleceu em 23 de julho de 1981.

Alciane Ayres Agência Santarém

Prefeitura de Santarém - Coordenadoria de Comunicação