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Atualizado em 24/01/2019 às 15h21

Violência psicológica e moral foram as mais registradas no Centro Maria do Pará em 2017 e 2018


Segundo dados levantados pela Vigilância Socioassistencial da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras), entre 2017 e 2018, os maiores números de denúncias de violência Contra a Mulher estão relacionados a agressões psicológica e moral.

De acordo com a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Atendimento a Mulher Maria do Pará, Diany Castro, esses dados são considerados um grande avanço no conhecimento das diferentes formas de violência. "Isso prova que ao menor sinal de violência a mulher está denunciando seu agressor. Antigamente só se conhecia um tipo de violência que era a violência física. Com as campanhas que a Prefeitura de Santarém realiza estamos cada dia avançando, esclarecendo que quando o marido, companheiro ou namorado causam constrangimentos, ridicularização, dano emocional e perseguição, são configurados como violência psicológica e também violência moral que é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria."

Centro Maria do Pará em uma das muitas ações que realiza de divulgação e combate a violência doméstica"Está havendo a maior divulgação da Lei Maria da Penha através das campanhas realizadas pelo governo municipal. Portanto, o agressor está pensando duas vezes antes de cometer a violência doméstica, que ressaltamos, não é só a agressão física. Temos muitos tipos, mas as maiores incidências são as violências psicológica e moral. Estamos sempre divulgando esses dados e reforçamos que a mulher não está sozinha, ela deve denunciar seu agressor e pode contar com o Centro Maria do Pará e também com a rede de Proteção a Mulher, pois Santarém dispõe de atendimentos completos que trabalham na recuperação da vítima", concluiu a coordenadora Diany Castro.

O Centro Maria do Pará, em Santarém, quando recebe um caso de violência doméstica trabalha com toda a família (vítima, crianças e agressor), por meio do Projeto "Mediar para Transformar". O Projeto é realizado dentro do Centro e presta atendimento também ao agressor, pois a equipe entende que o homem também precisa do acompanhamento. "Se não cuidarmos dos homens a violência só irá mudar de vítima e endereço. No ano de 2018 foram atendidos 98 homens," informou Diany Castro, coordenadora do Centro.

Em 2018, o Centro promoveu diversos cursos de apoio emocional e profissional Em 2018 o Centro Maria do Pará realizou vários cursos com o objetivo de apoiar as mulheres vítimas de violência doméstica e inseri-las no mercado de trabalho, para melhorar a renda familiar e até mesmo conquistar a independência financeira, já que muitas mulheres continuam vivenciando a violência por serem dependentes economicamente. Foram ofertados cursos de confeitaria, técnicas de venda, confecção de flores, cursos profissionalizantes de manicure, cabeleireiro, designer de sobrancelha e consultoria da empresa de cosméticos Avon. Aproximadamente 200 mulheres participaram dos cursos.

Caminhada de valorização da mulher e combate a violência doméstica realizada pelo Centro, em 2018, no Dia Internacional da Mulher"Além das ações de oficinas geradoras de renda, são realizadas ações nas datas comemorativas: Carnaval, Dia internacional da Mulher, Dia das Mães e 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulher. Estamos sempre levando atendimentos, esclarecimentos e valorização as mulheres vítimas de violência doméstica", acrescentou Diany.

"Muitas mulheres vítimas de violência já estão caminhando sozinhas sem depender de ninguém. Conseguiram aprender com nossos cursos e estão gerindo seus próprios negócios, algumas já não dependem mais totalmente de seus companheiros, o que são resultados importantes que nos revigora para que possamos buscar essas parcerias e apoiar nossas mulheres vítimas de violência doméstica. Agradecemos todo o apoio e também ao trabalho realizado por nossa equipe do Maria, a coordenação, psicóloga, advogada, assistente social e pedagoga, que incansavelmente trabalham para termos bons resultados em nosso município", agradeceu Celsa Brito, Secretária Municipal de Trabalho e Assistência Social.

Segundo a Psicóloga do Maria do Pará, Elaine Silva, a família, os amigos e os vizinhos devem estar atentos e ajudar a vítima. "Cuidado, você pode estar sendo vítima de um tipo de violência. O relacionamento deixa de ser saudável quando se transforma em um jogo de manipulação, poder e chantagem emocional. Isolar a mulher do convívio social e desqualificá-la em público também são sinais de violência. Conforme ganha espaço, o agressor tende a evoluir para agressões verbais e físicas. Pedir perdão e prometer que a violência não voltará a ocorrer são formas que o agressor encontra para desencorajá-la a pedir ajuda. Caso você vivencie algum tipo de violência independentemente do tipo de parentesco, você deve procurar ajuda. O silêncio facilita que a violência se perpetue."

Atendimentos realizados em 2017 e 2018
Segundo dados da Vigilância Socioassistencial de Santarém, em 2017 foram realizados 1.660 atendimentos técnicos. Em 2018 caiu para 1.491 atendimentos. As maiores demandas foram para os atendimentos psicológicos e moral e orientação jurídica. Dos 1.491 atendimentos, 313 foram psicológicos e 602 jurídicos.

Sobre o Centro Maria do Pará
O Centro de Referência Especializado de Atendimento a Mulher Maria do Pará é administrado pela Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras) e está funcionando na Travessa Professor Luiz Barbosa anexo ao Creas.

Desde 2017 o Centro participa de dois projetos que trazem a comunidade santarena palestras, rodas de conversas, atendimentos psicológicos, cidadania e social, no Programa Prefeitura nos Bairros (PPB) e no Projeto Rede Itinerante. Ambos os projetos vão até a comunidade, seja na área urbana, rural, planalto ou de rios, levar a população todos os esclarecimentos e os devidos encaminhamentos de acordo com cada situação.

Entenda sobre os Programas que o Centro participa para trabalhar ações de combate à violência contra a mulher

O Programa Prefeitura nos Bairros (PPB) - O PPB, como é carinhosamente chamado, é um projeto criado no primeiro ano de gestão em 2017 do Prefeito Nélio Aguiar. A iniciativa integra a política de inclusão do governo, cujo o foco principal é a gestão participativa. O Projeto leva atendimentos importantes nas áreas da saúde, educação, cidadania, esporte, assistência social, entre outros, aos lugares mais distantes da área urbana do município. O Centro de Referência Maria do Pará em 2018 realizou no PPB, 1.007 atendimentos específicos a mulheres.

O Projeto Rede Itinerante de Serviços pelo Combate a Violência Doméstica - foi idealizado em 2014 pela promotora de justiça da vara de Violência Doméstica, Luziana Barata Dantas, e conta apoio da Prefeitura de Santarém na sua operacionalização. O projeto leva ações de saúde, cidadania, social, jurídica, rodas de conversa, atendimento individualizado as mulheres vítima de violência. O projeto é realizado duas vezes por ano e leva às comunidades distantes do centro urbano os serviços da rede de proteção à mulher. Já foi levado ao Urucureá, São Raimundo da Palestina, São Raimundo do Eixo Forte , Ituqui, São José, Residencial Salvação e Perema.

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Geisa de Oliveira Agência Santarém

Prefeitura de Santarém - Coordenadoria de Comunicação