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Atualizado em 18/02/2018 às 9h04

Moradores da ilha São Miguel recebem lancha para ajudar na conservação dos recursos naturais

O veículo ajudará no transporte durante as fiscalizações e ações de educação ambiental que serão desenvolvidas pelos próprios moradores


Há aproximadamente 44 anos, os moradores da Ilha de São Miguel, região do Aritapera, várzea santarena, fiscalizam voluntariamente os lagos da área para coibir a pesca predatória. Ao longo desse tempo, usavam apenas as próprias canoas para fazer as rondas, mas a partir deste sábado (17) eles já estão contando com uma lancha e motor tipo rabeta, cedidos pela Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), para ajudar na proteção dos recursos naturais da localidade ribeirinha.

A entrega do veículo, realizada na manhã de sábado, na própria comunidade, contou com a participação do prefeito Nélio Aguiar, do vice-prefeito José Maria Tapajós, do presidente da Câmara de Vereadores de Santarém, Antônio Rocha, da secretária Municipal de Meio Ambiente, Vânia Portela, do secretário de Agricultura e Pesca, Bruno Costa, secretária de Assistência Social, Celsa Brito, secretária de Gestão, Orçamento e Finanças, Josilene Pinto, além do comandante do 3º BPM, Ten. Cel. Aldemar Maués, a coordenadora do escritório do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) no Baixo Amazonas, Alcilene Cardoso, e dos vereadores Alaércio Cardoso (PRP), Jandeilson Pereira (PSDB) e Henderson Pinto (DEM).

A comunidade, que recebeu a comitiva com fogos de artifício, se sentiu bastante contente com a nova ferramenta de proteção ao meio ambiente. O presidente da Associação dos Nativos Moradores da Ilha de São Miguel (ANMISN), Manuel Santos, considerou o veículo uma grande conquista  para a comunidade que está sempre atenta quando alguém tenta adentrar em um dos 7 lagos que compõem a localidade para práticas ilegais de pesca.

"Nasci e me criei aqui, mas vendo que os comunitários pescavam de forma desordenada, o que levou à escassez de muitas espécies, foi que em 1974 os moradores resolveram se unir e começar a organizar a fiscalização dos rios e lagos e só tirar o peixe para a subsistência. A partir dos próximos anos, notamos a grande presença de todas as espécies como o pirarucu. Daí, passamos a fazer o manejo da espécie", explicou Manuel Santos.

"Aqui na comunidade é tudo organizado. A pesca do pirarucu, por exemplo, só é feita pelos moradores de junho a novembro. O período que ele já está com os filhos grandes, criados. Antes disso, dividimos em equipes que fazem as rondas tanto de dia, quanto à noite. É um trabalho de formiguinha. Essa lancha vai contribuir muito. Contávamos apenas com canoas ou rabetas que tornavam difícil o trabalho de chegar aos criminosos que acabavam fugindo. Agora, com a presença da Semma e da Polícia Militar, nos sentimos mais seguros e isso ajuda a conscientizar os moradores para cuidar dos bens da Ilha de São Miguel", relatou a moradora Jacilda Sá, de 48 anos.

O prefeito Nélio Aguiar destacou o importante trabalho ambiental que a comunidade vem realizando, mostrando-se como modelo para as demais regiões do município. O gestor municipal afrimou que, nesse momento de crise econômica financeira, a Prefeitura, os moradores e as demais instituições precisam unir forças e, a exemplo do serviço promovido pelos moradores da Ilha de São Miguel, buscar sempre a melhoria da qualidade de vida da população.

 

"Essa lancha vai trazer um reforço, um instrumento a mais para as fiscalizações de combate à pesca predatória, grande demanda das comunidades ribeirinhas. Infelizmente, pescadores de outras comunidades, e até mesmo de outros municípios, acabam desrespeitando as leis ambientais como o período do defeso. Estamos atuando com estratégias diversificadas, por meio da educação ambiental e fiscalização, além da parceria com a Polícia Militar para reforçar o combate aos crimes ambientais", ressaltou Nélio Aguiar.

Saiba mais:

A secretária municipal de Meio Ambiente, Vânia Portela, explicou que essa é uma primeira comunidade beneficiada com equipamentos resultados das operações de fiscalizações ambientais da Semma. "Estamos fazendo o repasse por meio do Termo de Cessão de Uso. O veículo ajudará no transporte durante as fiscalizações e ações de educação ambiental que serão desenvolvidos pelos próprios comunitários".

Mobilização social

Atualmente a Ilha de São Miguel é reconhecida como Projeto de Assentamento Agroextrativista pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) por conta das populações tradicionais e sendo berçário natural ecológico, pois possui vegetação bastante conservada e lagos profundos, habitat excelente para a reprodução de pescado.

É formada pelo Lago do Pulsão, Lago Paranã, Lago do Arauanã, Lago Igarapezinho, Laguinho, Lago da Jararaca e o Lago da Remoada. Nesses mananciais, há toda uma mobilização social por parte dos próprios moradores quanto aos cuidados com a pesca, firmados em acordo reconhecido por sentença judicial, instruções normatizavas do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e portaria do extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), mas hoje representado pelo Incra. A comunidade não usa malhadeiras, fazendo somente a pesca de forma artesanal com linha de mão.

Os moradores fazem a pesca manejada do pirarucu, única espécie que comercializam, sendo que os demais peixes servem como subsistência. Ao longo do ano, realizam a contagem das espécies. Depois de calculado, quando chega entre junho e novembro, período permitido para a pesca do pirarucu, os moradores fazem a captura e vendem à Associação de Moradores da Ilha de São Miguel que, por sua vez, realiza a revenda para restaurantes da área urbana de Santarém. Todo o valor é compartilhado entre a população e investido na comunidade.

Anualmente estima-se que sejam vendidos entre 8 a 9 mil toneladas da carne do pirarucu. É a Ilha de São Miguel, gerando renda, unindo a força da natureza com a força do homem para perpetuação dos recursos naturais da Amazônia.

Júlio C. Guimarães Agência Santarém

Prefeitura de Santarém - Coordenadoria de Comunicação