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Atualizado em 27/09/2017 às 12h21

Çairé por Paulo José*


Tive a alegria e a agonia de ser jurado no último festival do Çairé em Alter do Chão, uma das manifestações culturais mais bonitas que tive o privilégio de presenciar. Felizmente temos o rigor de um regulamento para nos obrigar a decidir, ainda que contra muitos sentimentos contraditórios que nos acompanham durante todo o processo de apresentação. São duas grandezas que se completam de forma magnífica. Se de um lado temos a precisão cirúrgica do Boto Tucuxi, na milimétrica ocupação do espaço cênico, na opulência das alegorias, na riqueza das fantasias (presente nos dois botos) e na elaboração das coreografias e relatos cênicos, do outro lado temos a poesia e a delicadeza narrativa do Boto Cor de Rosa, onde a desordenada ocupação do cenário e o cálculo mal resolvido no movimento das alegorias são amplamente compensados pela entrega dos seus participantes e pela emoção que supera qualquer tentativa de racionalizar uma apresentação que deve ser competitiva.

Não sei o que acontece com os outros jurados, mas só de pensar em ter que tirar algum décimo de ponto de qualquer um dos Botos, para atender ao rigor do regulamento criado pelos próprios dirigentes dos Botos com assessores jurídicos, sinto que está acontecendo aquela velha história de que nem tudo que é legal é justo e nem tudo que é justo, é legal! O espetáculo é tão fascinante que tem horas em que a gente pensa em mandar o regulamento para outro planeta e seguir somente aquilo que o coração manda, mas...Não existem perdedores nessa contenda, somente vitoriosos ainda que existam oscilações e diferenças nos números finais. O imaginário amazônico nunca foi tão feliz ao ser descrito como nessa ópera popular que mistura diversas linguagens e nos leva ao mundo encantado das águas e das florestas, sem esquecer a religiosidade que é o ponto inicial da festa!

Um dos pontos culminantes desta noite foi a belíssima composição de Nato Aguiar "Uirapuru" na voz de Salomão Rossy, que serve para as duas agremiações. Ensinem-nos a preservar, cuidar e amar nossos rios e florestas e continuem a nos fascinar com essa festa maravilhosa que quanto mais descreve e revela, mas mistérios fascinantes nos apresentam. Parabéns pela ideia de valorizar artistas da terra, parabéns a toda a equipe da Prefeitura de Santarém! Viva o Çairé! Viva o Boto Cor de Rosa, Viva o Boto Tucuxi!!! E, a partir de agora, só alegria, sem a agonia de ter que optar por um só! Admiro e precisamos dos dois!

*Paulo José Campos de Melo é superintendente da Fundação Carlos Gomes

João Machado Agência Santarém

Prefeitura de Santarém - Coordenadoria de Comunicação