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Atualizado em 24/09/2017 às 16h37

Festival dos Botos e show da Dona Onete agitam o público do Çairé 2017


As agremiações Tucuxi e Cor de Rosa foram duas das principais atrações da noite deste sábado (23) e lotaram o Lago dos Botos. O Tucuxi apostou no tema "A expressão do Çairé", enquanto o Rosa levou para o Lago "Arte do Som". Ambos prometeram surpresas e cumpriram.

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O Festival dos Botos, que faz parte da programação do Çairé, encena a lenda do animal que se transforma em homem e seduz a cabocla borari em noites de lua cheia. Cada agremiação conta a história de uma forma, sempre tentando se renovar a cada ano. Novos elementos são introduzidos e um novo tema é explorado.

Boto Rosa
O primeiro a entrar em cena foi o Cor de Rosa, por volta das 22h, levado 790 brincantes ao Lago dos Botos. O tema "Arte do som" retratou a harmonia que deve haver entre os diversos povos. Os personagens e alegorias retrataram a festa do divino espírito santo, o período do império português e outros ritos, relembrou o tempo da escravidão de africanos, além de falar sobre o povo indígena Borari.


"Resolvemos falar do som tanto do lado místico quanto do lado prático. A gente tenta fazer um resgate sobre a natureza. Dentro dos nossos cinco sentidos, o que se destaca mais na crença do caboclo é o som. Como exemplo, o boto é muito identificado pelo assovio. O pescador conhece muito os peixes relacionado ao som das águas, ao vento que indica quando vem tempestade", explicou o integrante da coordenação do Cor de Rosa, Jair Almeida.

 

A história foi sendo desenvolvida durante a apresentação dos personagens e dos carros alegóricos. Rainhas do Lago Verde, do Çairé e do Artesanato, cabocla borari, evolução do boto animal para o boto homem e a tão esperada sedução, em que a cabocla cai nos braços do encantador cetáceo transformado em homem.

 

Guardada para o final, a surpresa foi a participação do cantor amazonense David Assayag, que surgiu entre os brincantes com aquela voz marcante e ilustrando o tema da agremiação Cor de Rosa. O artista cego se destacou pelo vozeirão, que conquistou pessoas do norte do país com as toadas do Festival dos Bois de Parintins.

Boto Tucuxi
O Tucuxi veio disposto a mostrar a todos "A expressão do Çairé", contando sobre o período anterior à chegada dos jesuítas e de como a festa era realizada muito antes de qualquer tipo de colonização por essas terras. O tema está ligado à identidade do povo e da festa. A agremiação entrou no Lago dos Botos com 600 brincantes. O início foi um clamor por mais valorização da natureza e contra crimes ambientais, principalmente os que afetam diretamente os povos indígenas.

 

"Temos uma abordagem pré-jesuítica de como era o Çairé antes da chegada dos portugueses. E mostramos, após a chegada dos jesuítas, como se desenvolveu esse caráter religioso que se manteve até hoje", declarou o presidente do Tucuxi, Edilberto Ferreira.

 

Foram encenadas a lenda da cobra grande, foram mostrados personagens e alegorias de destaque, como o curandeiro, a rainha da festa no barracão com mastros, canoa com imagens de Nossa Senhora da Saúde. Também foi valorizada a produção de mandioca, farinha, entre outros alimentos regionais. A Rainha do Lago Verde entrou em cena com um cardume de botos representando a protetora dos animais marinhos.

 

Ao final, a sedução foi interpretada pela primeira vez dentro da água, num recipiente posto numa estrutura para que coubessem o boto homem encantador e a cabocla borari.

Disputa e apuração
A apuração dos votos está marcada para esta segunda-feira (25), às 17h. serão avaliados 16 itens apresentados pelas agremiações:
1. Apresentador;
2. Cantador;
3. Rainha do Çairé;
4. Cabocla Borari;
5. Curandeiro;
6. Rainha do Artesanato;
7. Boto Homem Encantador;
8. Boto Animal Evolução;
9. Rainha do Lago Verde;
10. Carimbó;
11. Organização do Conjunto Folclórico;
12. Alegorias;
13. Letra e Música;
14. Ritual;
15. Torcida;
16. Sedução

 

Esta foi a 19ª edição do Festival dos Botos e cada agremiação tem nove títulos.


Avaliação da 3ª noite
O Lago dos Botos ficou lotado. Os ingressos esgotaram-se cedo. "Cada arquibancada suporta, no máximo, 1.700 pessoas. A gente tem um corredor que, se a gente for analisar cada um, tem 1 mil pessoas. Em torno de 6 mil assistindo os Botos, fora os camarotes", informou o presidente da Comissão Organizadora do Çairé 2017, Cleuton Sardinha.

 

Para o prefeito de Santarém Nélio Aguiar, a avaliação da noite de disputa dos Botos foi positiva. "Saiu dentro do que foi planejado. Foram vários meses de trabalho antes do Çairé. O envolvimento de todas as secretarias para que mostrássemos ao povo de Santarém e aos nossos turistas um evento seguro, organizado, uma noite brilhante com a apresentação dos Botos", avaliou.

 

A noite encerrou com show de carimbó da Dona Onete, que é sucesso internacional e já esteve em Santarém na programação de aniversário do município.

João Machado Agência Santarém

Prefeitura de Santarém - Coordenadoria de Comunicação